BEM-VINDES AO CENTRO DE MEMÓRIA QUEIXADAS SEBASTIÃO SILVA DE SOUZA
O Centro de Memória Queixadas (CMQ)
trabalha em prol da recuperação e preservação de memórias relacionadas à Fábrica de Cimento Portland Perus e ao bairro de Perus, que foi cenário de lutas históricas por direitos trabalhistas e civis, a partir da perspectiva dos trabalhadores Queixadas.
- O CMQ
- OS QUEIXADAS
- MOVIMENTO DE REAPROPRIAÇÃO DA FÁBRICA DE CIMENTO
- O SURGIMENTO DO CMQ
- PLANO MUSEOLÓGICO
O CMQ - Centro de Memórias Queixadas
Em março de 2024, o Centro de Memória Queixadas – Sebastião Silva de Souza (CMQ) lançou seu plano museológico, fomentado pelo edital PROAC Nº36/2022 – Museus/Elaboração de Plano Museológico e realizado pela museóloga Carla Grião com a equipe do CMQ.
O plano está previsto para ser realizado entre 2024 e 2027 e pode ser consultado aqui.
Se você utilizar nosso plano como referência ou em alguma atividade, avisa a gente! Assim, poderemos acompanhar a difusão de nosso trabalho, história e memória. Contato do CMQ telefone/whatsapp (11) 97800-8851 ou pelo e-mail contato@cmqueixadas.com.br
OS QUEIXADAS
Nelson Coutinho, advogado amigo, velho caçador, sentindo a inquebrantável resistência dos grevistas, exclamou numa Assembléia:
– Vocês parecem “queixadas”.
Alguém aparteou:
– Que é queixada?
– É o único bicho que, quando se sente em perigo, se une em grupo, em manada, bate o queixo – daí o nome queixada – , enfrenta a onça ou o caçador; este tem de se esconder numa árvore, porque corre o risco de ser estraçalhado. Vocês estão dando um exemplo de unidade semelhante ao queixada. “Queixada” que enfrenta o tubarão. [1]
Queixadas – Grupo de trabalhadores da Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus que, em 1962, iniciou uma greve que duraria sete anos, a maior da história sindical do Brasil.
Filiados ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Cal Cimento e Gesso, os Queixadas lutavam pelo fim dos atrasos salariais e seus devidos reajustes, redução de jornada, melhoria das condições de trabalho, estabilidade, salário família, premiação por produção, recontratação de funcionários estáveis demitidos, etc.
O apelido surgiu em 1958, depois da “Greve dos 46 dias”, onde os trabalhadores reivindicavam um aumento salarial, além de uma outra condição: a estabilidade do valor do saco de cimento. Após 46 dias de paralisação, um documento foi assinado garantindo o reajuste salarial de 40%.
O Movimento dos Queixadas, como ficou conhecido, tinha como pilar o princípio da “não-violência-ativa”, que se popularizou entre os trabalhadores como “Firmeza Permanente”.
Em 1969, a justiça anunciou um veredicto parcialmente favorável aos trabalhadores. A direção da fábrica foi obrigada a reintegrar os Queixadas estáveis (501 operários) e indenizá-los pelo tempo de paralisação. Porém, os 300 grevistas não estáveis seguiram sem emprego e indenização.
Os Queixadas, com sua força e singularidade de organização sindical e social, permaneceram na memória coletiva do bairro de Perus. Ainda hoje, são apontados como a semente de onde brotaram muitas lutas posteriores.
Eram operários, vindos de diversos lugares, que se fixaram em Perus para oferecer a sua força de trabalho. Portanto, estamos tratando de memórias que se entrelaçam com a nossa história e com a história do território em que vivemos.
QUEM É SEBASTIÃO SILVA DE SOUZA?
É o Queixada que dá nome ao CMQ. Nascido em Perus, em 1933, Seu Tião começou a trabalhar na Fábrica um ano antes da Greve.
Fazia parte do Movimento de Reapropriação da Fábrica de Cimento (entre outros) e adorava compartilhar suas memórias sobre Perus e, também, sobre a Greve, da qual nunca se arrependeu de ter participado.
Faleceu em dezembro de 2019, por complicações relacionadas à senilidade, aos 86 anos.
MOVIMENTO DE REAPROPRIAÇÃO DA FÁBRICA DE CIMENTO
Ao longo dos anos, muitos foram os projetos para a construção de um centro de cultura no espaço da Fábrica de Cimento, tombada pelo município de São Paulo em 1992, contudo sem a justa desapropriação.
Decorridas décadas, o Movimento vem sempre empenhando esforços em defesa não só da preservação da Fábrica de Cimento, mas também da preservação da história e memória dos trabalhadores, famílias, comunidade e demais envolvidos nesta luta.
Em 2013, o Movimento pela Desapropriação e Transformação da Fábrica, foi retomado com toda força, recebendo reforços de diversos coletivos artístico-culturais do território, bem como escolas públicas, estudantes e pesquisadores de Universidades, como o Núcleo de Estudo da Paisagem, vinculado à FAU/USP.
O Movimento foi renomeado como Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus, defendendo a mesma proposta de instalação de um Centro de Lazer, Cultura e Memória do Trabalhador, nas áreas tombadas pelo CONPRESP, porém, com um novo olhar, por se tratar de outro tempo, mas tendo como premissa os princípios dos antigos Queixadas:
Escola dos “Queixadas”
- CORAGEM para enfrentar o erro do patrão, do companheiro, ou o próprio erro. Cuidado para não agir sozinho.
- LEALDADE-HONESTIDADE. Não buscar privilégios pessoais. Nunca enganar os companheiros. Ser fiel ao companheiro. Ser sempre o mesmo homem diante da verdade.
- JEITO, isto é; usar a ferramenta da não-violência, que aperta, mas mata; que diz que o patrão pode ser um ladrão, mas é um homem como você. Se você fosse o patrão, faria o mesmo no sistema capitalista. Ou pior.
- CONHECIMENTO. O “Queixada” precisa se aprofundar no conhecimento, não só da profissão, como também no conhecimento das questões trabalhistas, da política, para mudarmos o sistema que aprisiona os brasileiros.
- A UNIÃO aparecerá como consequência das exigências acima. Provaremos que, “unidos, conseguimos o que está na lei e até um pouco mais; unidos podemos mudar a lei; desunidos, não conseguimos nem o que está na lei. Unidos conseguiremos a partilha dos bens e a rotatividade no poder”. Teremos uma nova sociedade.Só a Verdade nos leva à Justiça, capaz de libertar o homem todo e todos os homens.
A FÁBRICA
No ano de 1914, foi criada a Estrada de Ferro Perus-Pirapora (EFPP). Os trilhos possibilitaram o transporte da pedra calcária extraída em Cajamar – no bairro do Gato Preto – para Perus.
Anos mais tarde, em 1926, o calcário passou a ser utilizado como matéria-prima do cimento produzido pela Companhia de Cimento Perus Portland, inaugurada em 1924 por um grupo canadense bastante experiente no setor.
A indústria atraiu muitas pessoas para a região, alavancando o crescimento de Perus. Junto com o bairro, crescia também a produção da fábrica, que em 1927 chegou a produzir 25 mil toneladas de cimento.
Em 1958, assessorados pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Cal Cimento e Gesso, os trabalhadores da fábrica iniciaram uma greve de 46 dias. Alguns anos mais tarde, em 1962, os Queixadas de Perus, junto a outros sindicatos (alimentação, têxtil, papel e papelão) participaram ativamente da Greve dos 7 anos.
Na década de 1970, a “Perus”, como era chamada a fábrica, teve seus bens confiscados pelo Governo Federal, após intervenção do Sindicato dos Queixadas. O confisco durou até 1977. Em 75, foram pagos os salários do tempo da greve, correspondente a 2448 dias.
Na década seguinte, a luta em Perus era pela saúde da população. A frase “O pó de cimento esmaga a vida” aparecia em cartazes pregados em portas e em passeatas. Em 1986, a fábrica foi fechada definitivamente e, desde então existe uma luta por esse espaço de memória operária.
O SURGIMENTO DO CMQ
Em meio à sua organização, o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus foi dividido em grupos de trabalhos, e dentre eles estava o Grupo de Arquivo, este que buscaria meios de preservar a memória Queixada.
Em 2018 o grupo pleiteou a terceira edição da Lei Municipal de Fomento à Cultura, com o projeto “Fábrica de Memórias – construção acervo documental Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus – CBCPP, para criação de um espaço.
Com o projeto contemplado, o grupo conseguiu captar recursos para efetivar a criação do Centro de Memória Queixadas Sebastião Silva de Souza, que está localizado dentro da Biblioteca Padre José de Anchieta.
O CMQ é formado por um grupo multidisciplinar que busca desenvolver o espaço e promover formações, debatendo gestão de documentos, políticas de acervo, patrimônio e procedimentos metodológicos.
PLANO MUSEOLÓGICO
Em março de 2024, o Centro de Memória Queixadas – Sebastião Silva de Souza (CMQ) lançou seu plano museológico, fomentado pelo edital PROAC Nº36/2022 – Museus/Elaboração de Plano Museológico e realizado pela museóloga Carla Grião com a equipe do CMQ.
O plano está previsto para ser realizado entre 2024 e 2027 e pode ser consultado aqui.
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Se você utilizar nosso plano como referência ou em alguma atividade, avisa a gente! Assim, poderemos acompanhar a difusão de nosso trabalho, história e memória.
CMQ – Centro de Memória Queixadas
Endereço
R. Antônio Maia, 651 – Vila Perus,
São Paulo – SP, 05204-110
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Fundado em 2022, o Centro de Memória Queixadas – Sebastião Silva de Souza surge da mobilização do território de Perus, articulada pelo Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento em parceria com a Biblioteca Municipal Padre José de Anchieta, com o objetivo de preservar e fortalecer a memória operária local.
Somos referência na preservação da memória da Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus e da histórica Greve dos Queixadas (1962 – 1969), um dos mais importantes movimentos operários da história do Brasil.
Nosso trabalho articula: preservação documental, organização e difusão de acervo, pesquisa e produção de conhecimento, formação cidadã, educação patrimonial e ações culturais e comunitárias.
Atualmente, nossas ações são guiadas pelo Plano Museológico do Centro de Memória Queixadas, documento que estabelece diretrizes para a preservação do acervo, a gestão institucional e o fortalecimento do vínculo com o território.
Registrar, preservar, difundir e fortalecer as memórias e histórias da Fábrica de Cimento Portland Perus, sob a ótica dos Queixadas — movimento organizado por trabalhadores e seus familiares — e de seus desdobramentos, que influenciaram e fortaleceram mobilizações políticas, culturais, sociais e econômicas no território ao longo das décadas.
Consolidar o Centro de Memória Queixadas como referência na preservação, pesquisa e comunicação da luta dos Queixadas, por meio da ampliação, qualificação e democratização de seu acervo.
Sevirologia
a prática coletiva de criar soluções a partir da realidade do território.
União e Firmeza Permanente
princípio histórico da organização Queixada.
Respeito à memória coletiva
reconhecimento da história como direito.
Trabalho em rede no território
articulação comunitária e institucional.
O CMQ atua com compromisso público e responsabilidade social.
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